Quase quatro em cada dez escolas públicas de Minas Gerais ainda não possuem acessibilidade adequada, segundo dados divulgados pela plataforma QEdu com base no Censo Escolar 2025. O levantamento aponta que apenas 60% das unidades contam com estrutura acessível, o que levanta questionamentos sobre inclusão de estudantes com deficiência no estado.

Os números mostram um cenário desigual na infraestrutura escolar mineira. Enquanto itens básicos como energia elétrica (100%), água potável (100%) e alimentação (99%) estão praticamente universalizados, a acessibilidade segue como um dos principais gargalos.

Infraestrutura desigual

Além da acessibilidade, outros pontos revelam defasagens importantes. Apenas 61% das escolas contam com biblioteca, enquanto 52% possuem quadra de esportes. Ainda conforme o levantamento, apenas 45% das unidades têm laboratório de informática e 14% contam com laboratório de ciências.

Os dados também indicam que 24% das escolas não possuem ligação com rede pública de esgoto, dependendo de fossas, e que 11% ainda recorrem à queima de lixo como forma de descarte. Por outro lado, alguns indicadores aparecem em níveis mais elevados, como acesso à internet (97%), banda larga (90%) e coleta periódica de lixo (89%).

Desafio da inclusão

Segundo o levantamento, 63% das escolas possuem sanitários acessíveis e 80% têm dependências com algum tipo de adaptação, mas isso ainda não garante que o ambiente escolar seja plenamente inclusivo. A própria definição do que é considerado “acessível” pode variar conforme os critérios técnicos adotados, o que reforça a necessidade de esclarecimentos por parte do poder público.

Estado é questionado

Diante do cenário, a reportagem procurou a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) para esclarecer quais critérios são utilizados para classificar uma escola como acessível e quais políticas estão em andamento para ampliar esse percentual.

Também foram solicitadas informações sobre investimentos recentes em infraestrutura e metas para universalização da acessibilidade nas unidades da rede pública. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

FONTE: HOJE EM DIA