O contrabando de “canetas emagrecedoras” – injetáveis indicados para tratamentos da obesidade e do diabetes – avança, deixando autoridades e forças de segurança em alerta, além de causar preocupação entre os médicos. Só em Minas, as cargas de medicamentos confiscadas no primeiro semestre deste ano foram avaliadas em R$ 893 mil, valor 11 vezes superior (1.000% maior) do que o registrado no mesmo período do ano passado.

De janeiro a junho do ano passado, as apreensões no território mineiro somaram R$ 78.862. A estimativa do valor comercial das cargas é da Receita Federal, que considera o recolhimento de produtos ilegais sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O comércio ilegal é turbinado pela procura desenfreada de pessoas dispostas a usar os injetáveis que prometem perda de peso de forma rápida. Recentemente, um homem de 40 anos foi preso com 196 ampolas que supostamente armazenavam as substâncias semaglutida e tirzepatida, indicadas para o tratamento de obesidade e diabetes sob prescrição médica.

A carga de origem paraguaia foi apreendida na BR-262, em Juatuba, Grande BH, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Só entre 1º de janeiro e 31 de maio deste ano, a PRF recolheu 202 canetas emagrecedoras e 655 ampolas sem registro da Anvisa nas rodovias que cortam Minas.

Entidades alertam para riscos à saúde

Diante do aumento da circulação de medicamentos de origem irregular, entidades médicas têm reforçado os alertas à população. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e as sociedades brasileiras de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e de Diabetes (SBD) afirmaram que versões manipuladas, modificadas ou de origem desconhecida de medicamentos como semaglutida e tirzepatida representam riscos à saúde.

Segundo as entidades, esses medicamentos são biológicos e exigem processos rigorosos de fabricação, controle de qualidade, esterilidade e conservação para garantir segurança e eficácia.

Ainda conforme as entidades, esses produtos costumam ser anunciados como opções mais baratas e com os mesmos resultados dos medicamentos aprovados pelos órgãos reguladores, mas essa promessa não tem respaldo científico e pode expor os usuários a riscos graves.

“Relatos da FDA (Administração Federal de Alimentos e Medicamentos dos EUA) documentam problemas graves de administração em versões alternativas ou manipuladas, com doses superiores ou inferiores às recomendadas, contaminações e substituição por outros compostos”, alerta a nota. “A semaglutida e a tirzepatida alternativas ou manipuladas são frequentemente divulgadas como opções mais acessíveis e igualmente eficazes, o que é uma falsa promessa”.

FONTE: HOJE EM DIA