Minas enfrenta uma “epidemia de estelionatos” no que se refere ao golpe do falso advogado. Só neste ano já são mais de 3 mil denúncias de mensagens enviadas por criminosos que se passam por profissionais do Direito na tentativa de roubar dinheiro. O cenário preocupa e exige atenção redobrada das pessoas com processos em andamento na Justiça.
O balanço foi informado por Gustavo Chalfun, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas (OAB-MG). Em agosto, o Hoje em Dia mostrou que eram cerca de 500 queixas. No entanto, diante da explosão de casos, a OAB solicitou um pente-fino na seccional, subseções, comissões e ouvidoria para levantar novos dados desde o início do ano. Não há detalhes de quantas pessoas foram vítimas dos golpistas.
Chalfun afirmou que o volume de denúncias avança “a cada dia” e esse tipo de estelionato representa a principal ameaça digital envolvendo a categoria e seus clientes. Para se passar por falsos advogados, os bandidos utilizando nomes e fotos reais e exigem transferências bancárias rápidas. A farsa é sustentada por meio do acesso a informações que constam em processos judiciais.
Com a ajuda da inteligência artificial, os golpistas já utilizam até clonagem de voz para convencer as vítimas. A prática, que antes se concentrava em ações trabalhistas, agora se espalha por todas as áreas do Direito. “Hoje já difundiu para todas as áreas, infelizmente”, acrescenta o presidente da OAB-MG.
A OAB-MG diz que tem adotado medidas para enfrentar o golpe. A seccional lançou a cartilha OAB-MG no Combate à Fraude, com instruções para advogados e clientes. O material também orienta como denunciar as ocorrências.
Gustavo Chalfun disse que se reuniu com a Chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Letícia Gamboge, e com o Procurador-Geral de Justiça do MP, Paulo de Tarso Morais Filho, pedindo investigações e punições aos responsáveis.
Mais recentemente, em novembro, a entidade ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Meta – responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook – pedindo mais agilidade na remoção de perfis falsos e mecanismos eficazes de autenticação para reduzir golpes praticados com números clonados ou fotos de profissionais.
Segundo a OAB-MG, o modo como as plataformas funciona atualmente dificulta investigações e responsabilização, além de expor clientes e advogados em violação ao Código de Defesa do Consumidor e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O Hoje em Dia entrou em contato com a Meta, mas a empresa informou que não iria comentar o caso. A Polícia Civil informou que “possui investigações relacionadas ao golpe conhecido como falso advogado”.
O que fazer
A recomendação principal é confirmar diretamente com o advogado antes de qualquer pagamento. A OAB-MG orienta consultar o sistema ConfirmADV e verificar o número de inscrição da OAB e o e-mail profissional. Quem for vítima de golpistas deve procurar a polícia e registrar um boletim de ocorrência.
FONTE: HOJE EM DIA
